sexta-feira, 6 de junho de 2008

Mesmo depois de ir ao ar, a pauta continua...

Quando estamos envolvidos com a produção de um programa, é natural que todas as nossas atenções estejam voltadas para o assunto da pauta. Acontece, então, que muitas vezes ouvimos/lemos/assistimos a informações aqui e acolá que vêm a acrescentar na pauta original, modificando-a ou ampliando-a.

Mas e quando isso acontece após o programa estar pronto?

No nosso caso, este blog é a solução. Aqui postaremos ampliações e desdobramentos das pautas abordadas no Fiz + Sotaques.

Sobre o programa de estréia, que abordou os diversos sotaques do Brasil: alguns dias antes do programa ir ao ar (portanto, já finalizado), escutei uma observação muito perspicaz de um radialista daqui de Porto Alegre. Trata-se do Éverton Cunha, vulgo Mr. Pi de Pijama, que apresenta o Pijama Show, na Rádio Atlântida.

Pois o Mr. Pi propôs discutir sobre sotaques no programa daquele dia, fazendo uma observação muito pertinente: ele diferenciou os sotaques que são aprendidos naturalmente/involuntariamente daqueles que são aprendidos por adesão.

Explicou ele assim: aquele sotaque gaúcho marcado pelo "leitE quentE", ou seja, o "E" bem pronunciado, é um sotaque aprendido naturalmente e de maneira quase involuntária. Quer dizer, no interior do estado, as crianças crescem escutando seus pais e avós falando assim, e para elas não existe outra opção de falar. Quer dizer, elas falam assim, porque é assim que se fala.

Muito diferente do que ocorre com o tal "sotaque do Bonfim". Acho que o Brasil inteiro conhece esse sotaque. Ele foi popularizado pelo personagem Magro do Bonfa, interpretado pelo humorista André Damasceno na Escolinha do Professor Raimundo. É aquele tipo de fala que identifica muito claramente um certo nicho de moradores de Porto Alegre, especialmente moradores do bairro Bom Fim e estudantes de algumas faculdades específicas.

Para quem não lembra, eis a primeira aparição do Magro do Bonfa na Escolinha:



Esse é um exemplo de sotaque aprendido por adesão. Por quê?

Porque, se você for na casa de uma família em Porto Alegre, você não vai escutar o avô dizendo: "guri, vamu fazê um churras aí... Bah, que tal aquela mina..." Nem o avô, nem o pai, nem a mãe, nem a tia. No entanto, é um modo de falar muito característico da cidade. Por quê?

Porque, defende o Mr. Pi, esse sotaque é aprendido durante a adolescência e a juventude, pelo convívio com certos grupos de amizade. O jovem porto-alegrense, portanto, aprende a falar assim porque seus amigos falam assim. Ele fala assim porque isso cria identidade.

Essa sutil diferenciação feita pelo Mr. Pi poderia ser usada em uma outra discussão sobre sotaques. Ou poderia estar no nosso programa de estréia, se eu tivesse escutado antes.

Foi o que pensei quando escutei o programa no rádio.

2 comentários:

Leandro Lopes disse...

Opa!! Produção total!! Bora turma!

Leonardo disse...

Pô, que legal esse "desdobramento" da pauta. E legal de ver que o Mr.Pi fala coisas interessantes de quando em quando.
òtima idéia de colocar no blog esses desdobramentos.

abraço!